quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Livro didático ignora diversidade sexual, diz pesquisa


Os livros didáticos distribuídos pelo Ministério da Educação (MEC) às escolas públicas ignoram a homossexualidade. É o que mostra pesquisa da ONG Anis, em parceria com a Universidade de Brasília (UNB), financiada pelo Programa Nacional DST/Aids do Ministério da Saúde e feita nos últimos dois anos em 61 das 98 publicações de maior distribuição nos ensinos fundamental e médio.

A fase de avaliação do conteúdo contou com a participação de juristas, sociólogos e pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O trabalho foi norteado por sete vertentes: sexo, gênero, família, diversidade social, diversidade sexual, reprodução biológica e doenças sexualmente transmissíveis.

A pesquisa também analisou 24 dicionários e concluiu que trazem a homofobia - práticas discriminatórias contra a diversidade sexual - como expressão explícita em seus verbetes. O dicionário da Melhoramentos, por exemplo, usa a definição "veado, homossexual, pederasta" para o verbete gay. Os livros foram selecionados a partir de uma lista de distribuição enviada pelo Fundo Nacional de Educação (FNDE) - órgão ligado ao MEC - e os dicionários integram o Memorial do Livro (MEC).

As informações são do Jornal da Tarde.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Escolas adotam criacionismo em aulas de ciências

O criacionismo se espalha pelas escolas confessionais brasileiras - e não apenas no ensino religioso, mas nas aulas de ciências. Escolas tradicionais religiosas como Mackenzie, Colégio Batista e a rede de escolas adventistas do País adotam a atitude de não separar religião e ciência nas aulas, levando aos alunos a explicação cristã sobre a criação do mundo junto com os conceitos da teoria evolucionista. Algumas usam material próprio. Outros trabalham com livros didáticos da lista do Ministério da Educação e acrescentam material extra.

"Temos dificuldade em ver fé dissociada de ciência, por isso na nossa entidade, que é confessional, tratamos do evolucionismo com os estudantes nas aulas de ciências, mas entendemos que é preciso também espaço para o contraditório, que é o criacionismo", defende Cleverson Pereira de Almeida, diretor de ensino e desenvolvimento do Mackenzie. O criacionismo e a teoria da evolução de Charles Darwin começam a ser ensinados no colégio entre a 5ª e 8ª séries do fundamental. Na hora de explicar a diversidade de espécies, por exemplo, em vez de dizer que elas são resultados de milhares de anos do processo de seleção natural, se diz que a variedade representa a sabedoria e a riqueza de Deus.

Especialistas ouvidos pela reportagem consideram um equívoco a presença do criacionismo na aula de ciências."É completamente inadequado ensinar como teoria científica, porque não é teoria científica", diz Ildeu de Castro Moreira, diretor do departamento de Popularização da Ciência e da Tecnologia do Ministério da Ciência e da Tecnologia. Para ele, não há problema abordar o assunto, "assim como se fala em alquimia na história da ciência", mas "oferecê-lo como alternativa é uma inverdade." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Tradicional colégio de Porto Alegre se compromete a respeitar a livre orientação sexual

Um estabelecimento escolar de Porto Alegre, reconhecido pelo seu papel histórico no cenário da educação gaúcha irá divulgar, entre seus alunos jovens e adultos, professores e funcionários, todas as leis que enfocam o racismo e a discriminação.

A direção do Instituto General Flores da Cunha - localizado na avenida Osvaldo Aranha, no bairro Bom Fim - firmou termo de ajustamento de conduta perante a Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos. O acordo termina com um inquérito civil que investigou possíveis discriminações por livre orientação sexual ocorrida no interior da escola.

O colégio comprometeu-se a "orientar seu corpo docente para que viabilize a inclusão da temática da livre orientação sexual como conteúdo curricular das disciplinas, nas classes destinadas a jovens e adultos, primando por uma cultura de Direitos Humanos". Além disso, deverá zelar, imediatamente, para que a utilização dos banheiros leve em consideração a exteriorização da livre orientação sexual de jovens e adultos de forma condizente com a notória aparência da orientação sexual do aluno, em especial no caso de transgêneres.

No acordo, a promotora de Justiça Míriam Villamil Balestro Floriano lembra que o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos apresenta a escola como "espaço privilegiado para a construção e consolidação da cultura de direitos humanos".

Destaca, ainda, que a Carta das Nações Unidas busca "desenvolver e encorajar o respeito universal e efetivo aos direitos do homem e das liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, de língua ou religião". As informações são do MP-RS, em seu saite, em texto do jornalista Celio Romais.

A celebração do termo de ajustamento de condura levou em consideração a Lei nº 11.872/02 dispõe que o Estado do Rio Grande do Sul deve reprimir atos atentatórios À dignidade da pessoa humana, especialmente a discriminação fundada na orientação, práticas, manifestação, identidade e preferências sexuais exercidas dentro dos limites da liberdade de cada um e sem prejuízos a terceiros.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Livros infantis liberais causam polêmica na Suécia


Duas editoras de livros infantis estão provocando um debate na Suécia com uma série de novas publicações que desafiam os conceitos tradicionais de família e os papéis normalmente atribuídos a meninos e meninas.
Nos livros, meninos usam sandálias cor-de-rosa, meninas querem ser bombeiros e cientistas quando crescerem, e papai não é necessariamente quem sai para trabalhar enquanto a mamãe fica em casa cuidando do jantar.
"Nosso objetivo é dar às crianças a liberdade de criar sua própria identidade, sem padrões pré-concebidos e sem preconceitos de sexo, raça e sexualidade", disse à BBC Brasil a escritora Karin Salmson, co-fundadora da editora Vilda.
Nestas novas coleções infantis, as crianças também podem ter dois pais ou duas mães - casais do mesmo sexo aparecem em vários livros -, ou ser filhos de mães solteiras.
"Famílias com pais gays, mães solteiras e crianças adotadas também são famílias normais. Temos várias assim na Suécia, mas esta realidade não está refletida nos livros infantis. Mostrá-las em histórias nas quais o enredo não é simplesmente sobre famílias gays ou mães solteiras demonstra que essas famílias existem, que são normais e que precisam ser aceitas", enfatiza Karin Salmson, que acaba de lançar uma coleção de seis livros infantis.
Sapatos cor-de-rosa
No livro Magic, Cilla&Baby, de Eva Lundgren, o menino Kasper é ruim de bola e o garoto Olle gosta de maquiagem, enquanto a menina Inger é famosa por seus gols de placa no hóquei e a amiga Ellinor passa os dias tocando guitarra elétrica. Em Sandaler (Sandálias), o personagem Imannuel é um menino que adora seus sapatos cor-de-rosa.
"Queremos quebrar as regras rígidas que determinam o que um menino e uma menina devem ser ou fazer, e ampliar os horizontes da criança", acrescenta a co-fundadora da editora Vilda, que é casada e tem três filhos.
A Vilda e outra editora menor, chamada Olika, foram lançadas no ano passado com a meta declarada de promover os valores liberais da Suécia entre a nova geração.
A filosofia das editoras reflete em grande parte as atitudes na Suécia, considerado um dos países mais avançados e liberais em questões de igualdade sexual e direitos de minorias. Mas alguns críticos estão questionando os métodos adotados pela Vilda e a Olika.
Um dos ilustradores da Olika, Per Gustavsson, criticou publicamente a solicitação da editora para mudar a cor da camiseta de uma menina, que na ilustração original era cor-de-rosa.
Valor literário
No jornal Svenska Dagbladet, a crítica literária Lena Kåreland reconheceu que as novas coleções infantis estão despertando interesse, e que livros que questionam os papéis atribuídos aos sexos exercem uma função importante. Mas ela adverte que a ânsia de fazer livros "politicamente corretos" não deve comprometer a qualidade literária.
"Simplesmente trocar os papéis e colocar os homens atrás do fogão e mulheres ao volante do carro não significa alcançar mudancas profundas. O risco de contar uma história de caráter moralizante é grande", enfatizou Lena em sua coluna no jornal.
A crítica literária do jornal Dagens Nyheter foi mais ácida:
"Para estas editoras, os seus valores são sua prioridade principal, e na minha opinião esta é simplesmente uma abordagem errada para fazer bons livros infantis", disse Lotta Olsson.
"Se o objetivo de uma história infantil é promover uma idéia e alterar as atitudes e o comportamento das crianças, os lados artístico e literário do livro tendem a sofrer", acrescentou ela.
Para Karin Salmson e a co-fundadora da editora Olika, Marie Tomicic, as críticas demonstram um "elitismo cultural" que não reflete a ampla aceitação que os livros estão obtendo entre os pais.
"Os críticos falam de qualidade literária como se qualidade fosse algo estático. Mas a qualidade pode ser alcançada de diversas maneiras. Queremos mostrar às crianças que o mundo pode ser muito maior do que elas pensavam", diz Karin Salmson.

Fonte:BBC Brasil - Publicada em 27/08/2008 às 05h31m

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Educação sexual ao som de funk

O Governo do Estado do Rio de Janeiro quer estimular os alunos da rede pública a usar o batidão do funk para falar de sexo. Mas nada daquele viés apimentado, tão comum a alguns MCs mais avançadinhos.

A partir de setembro, a Secretaria de Educação vai selecionar, entre os estudantes, letras que falem de assuntos como gravidez precoce e doenças sexualmente trasmissíveis. As 66 melhores músicas farão parte de shows do Furacão 2000 no fim do ano, e três ou quatro poderão ser incorporadas ao DVD da equipe mais conhecida do funk carioca.

A novidade é vista com bons olhos por gente que já percorreu antes o caminho entre as as salas de escolas públicas e os bailes. Entre eles, MC Yuri, de 22 anos, vocalista do grupo Os Havaianos, que cantava, até três anos atrás, letras de sua autoria nos recreios do Colégio Estadual Pedro Aleixo, na Cidade de Deus. O rapaz foi descoberto por Rômulo Costa, o mandachuva do Furacão 2000, e hoje faz sucesso com um repertório que inclui músicas para crianças e outras mais maliciosas.

- Mas sempre falamos da importância de usar CAMISINHA.

Hoje, os jovens não têm consciência.

A maioria dos meus amigos tem filho. Na Cidade de Deus, o que mais tem é criança de 13 e 14 anos com filho - disse MC Yuri.

Segundo o assessor da Furacão 2000 Sérgio Miranda, as inscrições vão de setembro a novembro.

Uma comissão avaliará as melhores músicas. Em dezembro, acontecerão seis shows nos quais as letras vitoriosas serão cantadas pelos autores, na companhia de MCs mirins, como Jonathan Costa, o filho de Rômulo.

- A idéia é colocar três ou quatro músicas no DVD de fim de ano. Se forem descobertos talentos, eles poderão seguir carreira - disse Sérgio.

Yuri explica: - Tudo começou como uma brincadeira. Eu ia para a escola e escrevia músicas. No recreio, eu cantava com os amigos, que marcavam o ritmo na palma da mão. Comecei a fazer shows na comunidade, até ser convidado pelo Furacão 2000. Gosto mesmo é de fazer músicas para crianças. Mas também faço letras de duplo sentido (as que remetem a sexo). Mas, é importante ter consciência.
Fonte: O Globo

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Sexo: menos constrangimento, mais responsabilidade



Até outubro deste ano, 400 máquinas de preservativos deverão estar disponíveis nas escolas da rede pública. As máquinas já estão sendo construídas por duas escolas técnicas, informou o diretor adjunto do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids, Eduardo Barbosa.

"A expectativa é de que todas as escolas públicas tenham pelo menos uma máquina", disse Barbosa. "No final deste ano, iremos avaliar o uso e a adequação no ambiente escolar, práticas de informação e orientação em torno disso". Ele explicou que o funcionamento da máquina de preservativo é semelhante ao de uma de refrigerante. O aluno vai ter uma senha ou ficha – que será disponibilizada pela escola – para retirar sua cota semanal de camisinha. A distribuição é gratuita.

Desmistificacão

Para Barbosa, a máquina vai atender as reivindicações dos jovens que apontaram essa forma de distribuição como menos constrangedora, já que não é necessário dar explicações cada vez que for retirar a camisinha. Para Miguel Fontes, coordenador da John Snow Brasil, consultoria especializada em marketing social, com sede em Boston (EUA) e mais de 100 projetos desenvolvidos para a transformação social e a melhoria da qualidade de vida, "as máquinas de preservativos na escola influenciam no debate sobre sexualidade responsável".

Fontes acredita que a inciativa também contribui para a desmistificação do preservativo como um produto essencial na vida das pessoas. "Sexo deve ser considerado como algo normal e parte integral do bem-estar da vida das pessoas, sejam jovens, adultos ou idosos", afirma.

Sexualidade saudável

Um estudo realizado pela Durex Network sobre sexualidade humana em 26 países, incluindo o Brasil, confirmou que quanto mais cedo for a educação sexual mais preparados e confiantes os indivíduos estarão para exercitar uma sexualidade saudável.

"No caso de crianças (antes da puberdade) alguns cuidados são necessários, como a adaptação da linguagem e discurso lúdico, para que não haja uma imposição de questões que apenas precisam ser consideradas após alguns anos de vida", diz Fontes.

"No entanto, assim como acontece para os comportamentos de trânsito seguro, reciclagem de lixo e consciência social, quanto mais cedo houver uma abordagem humana sobre essas questões, o indivíduo se torna mais próximo desses comportamentos, culminando com hábitos saudáveis para toda sua vida", completa o consultor.

Prevenção

O estudo da Durex Network também afere que pessoas que foram expostas a educação sexual aos 10 anos de idade são significativamente mais confiantes em relação a prevenção das DSTs, prevenção de gravidez indesejada, satisfação sexual e fontes de informação/educação sexual.

"No Brasil, a tendência é exatamente a mesma. Sendo assim, a máquina de preservativos nas escolas oferece a oportunidade de maior acesso a esse precioso bem de saúde pública", ressalta Fontes. "Uma única restrição seria a privacidade dos jovens na hora de pegar o preservativo na máquina", completa.

Em princípio, cerca de 1.500 instituições que fazem parte do Programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) receberão as máquinas. "Mas por meio de um processo de adesão, cada escola deve fazer sua solicitação", explica Eduardo Barbosa.

(*) Com informações da Agência Brasil e Versátil Comunicação Estratégica

terça-feira, 17 de junho de 2008

Pode Me Chamar de Gay

Fabrício Carpinejar

Pode me chamar de gay, não me ofendo. Pode me chamar de gay, é um elogio. Pode me chamar de gay, apesar de ser heterossexual, não me importo de ser confundido. Ser gay me favorece, me amplia, me liberta dos condicionamentos. Não é um julgamento, é uma referência. Pode me chamar de gay, não me sinto constrangido. Pode me chamar de gay, está dizendo que sou inteligente. Está dizendo que converso com ênfase. Está dizendo que sou sensível. Pode me chamar de gay. Está dizendo que me preocupo com os detalhes. Está dizendo que dou água para as samambaias. Está dizendo que me preocupo com a vaidade. Está dizendo que me preocupo com a verdade. Pode me chamar de gay. Está dizendo que guardo segredo. Está dizendo que me importo com as palavras que não foram ditas. Está dizendo que tenho senso de humor. Está dizendo que sou carente pelo futuro. Está dizendo que sei escolher roupas. Pode me chamar de gay. Está dizendo que cuido do corpo, afino as cordas dos traços. Está dizendo que falo sobre sexo sem vergonha. Está dizendo que danço levantando os braços. Pode me chamar de gay. Está dizendo que choro sem o consolo dos lenços. Está dizendo que meus pesadelos passaram na infância. Está dizendo que dobro toalha de mesa como se fosse um pijama de seda. Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou aberto e me livrei dos preconceitos. Está dizendo que posso andar de mãos dadas com os anéis. Está dizendo que assisto a um filme para me organizar no escuro. Pode me chamar de gay. Está dizendo que reinventei minha sexualidade, reinventei meus princípios, reinventei meu rosto de noite. Pode me chamar de gay. Está dizendo que não morri no ventre, na cor da íris, no castanho dos cílios. Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou o melhor amigo da mulher, que aceno ao máximo no aeroporto, que chamo o táxi com grito. Pode me chamar de gay. Está dizendo que me importo com o sofrimento do outro, com a rejeição, com o medo do isolamento. Está dizendo que não tolero a omissão, a inveja, o rancor. Pode me chamar de gay. Está dizendo que vou esperar sua primeira garfada antes de comer. Está dizendo que não palito os dentes. Está dizendo que desabafo os sentimentos diante de um copo de vinho. Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou generoso com as perdas, que não economizo elogios, que coleciono sapatos. Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou educado, que sou espontâneo, que estou vivo para não me reprimir na hora de escrever. Pode me chamar de gay. Que seja bem alto. A fragilidade do vidro nasce da força e do ímpeto do fogo.




Somos – Comunicação, Saúde e Sexualidade
Projeto Construindo Identidades